GUERREIROS DO ARMAGEDOM

Capítulo 33: Um treino muito louco

Vale da Garganta de Fogo, 7:15h

Nossos heróis encontram-se dentro de uma caverna (local onde se abrigaram no vale). Ryu está dormindo, Heiko parado na entrada da caverna e Cindy, que havia acordado há poucos instantes, dirige-se até a mesma:
_ Hoje começaremos o treinamento de Ryu. Ele precisa o quanto antes despertar seus poderes espirituais – Cindy aproximando-se de Heiko.
_ Era nisso mesmo que eu estava pensando, no tipo de treinamento que daremos a ele. Você tem alguma idéia?
_ Para falar a verdade, não... Ryu não teve um treinamento adequado, com técnicas de energia, por isso não podemos lhe dar um treinamento muito rigoroso.
_ É, nisso você tem razão. A propósito, que tipo de treinamento Ryu teve com o Mestre Nikuri?
_ Bom, foi um treino bem curto, que durou cerca de três semanas.
_ O quê? Apenas isso? – Heiko surpreso. Bem, e o que foi que ele ensinou?
_ Ele não ensinou muita coisa. O objetivo de todo o treinamento era desenvolver as habilidades de Ryu, tornando-o mais ágil, mais forte e mais rápido. Além disso, o mestre queria fazer com que a energia espiritual de Ryu despertasse.
_ Não posso dizer a respeito de suas habilidades como lutador, já que eu não o conhecia antes de ele treinar com o mestre; mas, em relação à sua energia espiritual, não senti nenhuma manifestação, nem mesmo quando ele lutou naquele torneio de Artes Marciais.
_ Somente uma vez a sua energia se manifestou, e foi quando ele lutou com o mestre, na última etapa de seu treinamento. Mas foi por alguns instantes.
_ E por que o mestre não prosseguiu com o treinamento?
_ Ele disse que não tinha mais nada para ensinar a Ryu, que a continuação de seu treinamento viria com o tempo, na sua vivência no Juízo Final.
_ Mas isso é estranho, principalmente tratando-se do Mestre Nikuri. Para que uma pessoa desperte a sua energia espiritual é preciso que ela treine rigorosamente durante cinco anos, pelo menos. Durante esse tempo, o corpo e a mente são submetidos a condições extremas. Depois que a energia desperta por completo são necessários mais cinco anos, para aprender técnicas de energia, e mais três, para aperfeiçoar cada técnica. Somente após esse período, com o corpo, a mente e o espírito em perfeitas condições, é que um indivíduo está apto a adquirir sua Aura do Dragão. O Mestre Nikuri certamente deve saber disso, e, mesmo assim, não aplicou um treinamento adequado a Ryu. É isso que não consigo entender. Por que ele não deu continuidade ao treinamento, já que ele sabia que a missão de Ryu é enfrentar Tsaguri?
_ Eu também não consigo entender. Pode ser que...
_ Hum...?
_ Quando eu conheci o Ryu, ele me disse que o Grande Sacerdote Nooshi tinha visto algo de especial nele. Pode ser que o Mestre Nikuri também tenha visto isso em Ryu, e por isso tenha ido com o treinamento até aquele ponto.
_ Só não sei o que é que eles viram em Ryu.
_ Bom, isso só iremos descobrir com o tempo – Cindy com um leve sorriso.
_ É, tem razão.
Nesse momento, Ryu finalmente acorda (já tava na hora ¬¬):
_ Uaahhh...
_ Uh, finalmente ele acordou – Heiko com um sorriso irônico (vai começar).
_ Até que enfim! – Cindy com um olhar meio sério.
_ Até que enfim o quê? – Ryu ainda sonolento, enquanto se aproxima dos dois.
_ Já estava na hora de você acordar. Já se esqueceu de que viemos a este lugar para treiná-lo? – Heiko com um olhar sério.
_ É claro que não. É que eu estava meio exausto, com a nossa caminhada de ontem.
_ Tudo deixa você exausto – provoca Heiko.
_ Como é que é?! – Ryu se estressando (tava demorando...).
_ Acalme-se, Ryu! É melhor guardar essa energia para o treinamento de hoje – diz Cindy.
_ Hunf! Bem, e que tipo de treinamento eu terei?
_ Está vendo aquela planície? – Heiko apontando para uma planície localizada a cerca de trezentos metros da caverna onde estavam.
_ Sim, por quê?
_ Nosso treinamento de hoje será lá – explica Heiko.
_ E o que terei que fazer?
_ Quando chegarmos lá eu digo – responde Heiko.
_ Se é assim, então vamos – Ryu saindo da caverna.
Os três, então, seguem até a planície apontada por Heiko. Após alguns minutos, eles finalmente chegam ao tal lugar.
_ Bom, chegamos. E agora? O que terei que fazer? – pergunta Ryu.
_ Como você sabe, Ryu, os seus poderes espirituais precisam despertar o quanto antes, já que não temos muito tempo – Heiko sério.
_ Sim – Ryu também sério.
_ Como você não aprendeu técnicas de energia e não desenvolveu por completo a sua energia espiritual, terá que suportar um treinamento bastante rigoroso. Além disso, as condições hostis deste lugar, que é considerado o pior do Inferno, tornarão o treinamento ainda mais difícil. Eu quero saber se você está realmente preparado para aguentar o treinamento que daremos a você – Heiko ainda sério.
Ryu fica em silêncio por alguns segundos, fecha os olhos, abre-os e, com um olhar sério, diz:
_ Sim, eu estou. Aguentarei o que for preciso! – o rapaz cerrando o punho direito, enquanto o levanta à altura do tórax.
_ Espero que não se esqueça disso – diz Heiko.
*O vento soprando forte no local e relâmpagos reluzindo no céu*
_ Bom, e como será esse treinamento? – pergunta Ryu.
_ Você terá que lutar comigo e com Cindy – responde Heiko.
_ O quê? Mas os dois de uma vez? – o garoto surpreso.
_ Não. E também não será agora – diz Heiko.
_ Então?
_ Antes de tudo, precisamos fortalecer seu corpo, e foi por isso que viemos a este vale – explica Heiko.
_ Quer dizer que eu terei um treinamento físico, antes?
_ Sim, mas não apenas isso. Seu corpo, ao reagir a um treinamento rigoroso nas condições do vale, vai interagir mais rápido com a sua Aura do Dragão, e, consequentemente, o mesmo acontecerá com o seu espírito. Será, portanto, um treinamento físico e espiritual – explica Heiko.
_ Já entendi. Bem, e qual será a minha primeira tarefa?
Heiko, então, dá um longo salto para trás, parando em cima de uma rocha.
_ O quê? – Ryu sem entender.
_ Preste atenção, Ryu! Eu irei atacá-lo com minha energia de vento! Sua missão será desviar dos ataques e me atingir!
_ Está certo!
_ Cindy, afaste-se do local!
_ Certo! – Cindy afastando-se de Ryu.
_ Está pronto, Ryu?!
_ Pode começar! – Ryu assumindo uma postura de defesa.
_ Então lá vai!
Em seguida, Heiko começa a manifestar sua energia, criando um poderoso vento ao redor de seu corpo.
*Ryu atento*
_ Prepare-se, Ryu! Iahh!!
Após o comando de Heiko, o vento que estava ao seu redor assume a forma de um grande turbilhão e avança na direção de Ryu.
*Ryu observando atentamente o golpe se aproximando*
O golpe aproxima-se cada vez mais de Ryu, que espera o momento certo para se esquivar:
_ Lá vem ele – pensamento de Ryu.
*O golpe cada vez mais perto de Ryu*
_ É agora! – grita Ryu.
Em seguida, Ryu, com uma rápida manobra para o lado esquerdo, consegue desviar do ataque:
_ Consegui! – comemora o garoto.
_ Ainda não acabou! – avisa Heiko.
_ O quê? – Ryu surpreso.
Ryu olha para trás e vê o golpe vindo novamente em sua direção:
_ Droga!
_ O golpe não cessará enquanto você não me atingir! – diz Heiko.
Sem outra opção, Ryu decide ir para cima de Heiko, ao mesmo tempo em que fugia de seu golpe.
_ Iahh!! – Ryu avançando em direção a Heiko.
Heiko continua tentando acertar Ryu com o turbilhão de vento, mas o garoto consegue evitar o golpe, fazendo com que este atinja o solo, causando pequenas explosões.
_ Nada mal, mas ainda não é o bastante! – diz Heiko.
Os ataques prosseguem, com mais força ainda, mas Ryu consegue evitar cada um:
_ Ah! Ah! Ah! – Ryu desviando dos ataques.
_ Seus reflexos e seus movimentos estão mais rápidos do que antes. Ele progrediu bastante nesses últimos tempos – pensamento de Cindy, ao observar a performance de Ryu.
O golpe avança em direção a Ryu, causando cada vez mais destruições no local. Contudo, o garoto consegue desviar de cada ataque, aproximando-se cada vez mais de Heiko.
_ Eu estou quase perto dele – pensamento de Ryu.
Por fim, no meio de um dos ataques do turbilhão, Ryu consegue evitar o golpe e salta em direção a Heiko:
_ Aahh!! – O garoto indo em direção a Heiko.
*Heiko observando seriamente*
Quando Ryu estava prestes a atingir Heiko, este o surpreende, com um soco no abdome:
_ Iah!!
_ Ugh... – Ryu sentindo o golpe.
*Cindy surpresa*
_ Ai... Você não me disse nada sobre me atacar! – Ryu irritado.
_ Numa luta você precisa estar preparado para qualquer coisa! Por acaso acha que o seu adversário lhe dirá o que vai fazer num combate de vida ou morte? – Heiko com uma expressão bastante séria.
_ Hum... – Ryu cerrando o punho direito numa expressão de raiva. Tudo bem.
_ Vamos tentar novamente. Desta vez o ataque será mais forte! Portanto esteja preparado! – Heiko com uma expressão séria.
_ Certo! – Ryu balançando positivamente a cabeça, com um olhar sério.
Ryu volta ao local onde estava no início do treinamento, enquanto Heiko se prepara para mais um ataque.
*Heiko manifestando sua energia de vento*
*Ryu em posição de defesa*
_ Lá vai!! – grita Heiko.
Em seguida, um novo turbilhão de vento, maior que o anterior, avança em direção a Ryu.
_ Esse é bem maior que o outro – pensamento de Ryu.
O golpe está cada vez mais perto de Ryu, que espera o melhor momento para agir. Por fim, quando estava prestes a ser atingido, o garoto salta para o lado direito e consegue evitar o ataque. Em seguida, Ryu volta a ficar em posição de defesa, aguardando pelo retorno do golpe. Contudo, ao olhar para trás, tem uma surpresa:
_ O quê?!
O turbilhão de vento simplesmente havia sumido de sua vista, deixando-o confuso:
_ Droga! De onde ele irá me atacar?
De repente, Ryu percebe uma sombra se formando embaixo dele. Sem pensar duas vezes, o garoto pula para trás. Segundos depois, o golpe de Heiko atinge violentamente o solo, justamente no lugar onde Ryu estava posicionado.
_ Como você ainda não consegue detectar a energia espiritual, terá que contar com seus sentidos para lutar! – diz Heiko.
O turbilhão de vento, ainda mais violento, avança novamente em direção a Ryu. Este, com rápidas manobras, consegue desviar dos ataques, porém...
_ Droga! Está cada vez mais difícil escapar desse turbilhão! Mas por que será? – Ryu tentando evitar os ataques.
_ Não brinque, Ryu! Você precisa me atingir o quanto antes! – alerta Heiko.
_ Tem alguma coisa que está dificultando meus movimentos. Mas o que será? – Ryu desviando com dificuldade do turbilhão. É isso! Como o vento que Heiko criou está mais forte, a pressão atmosférica gerada por ele também está maior, deixando meus movimentos mais lentos. Eu preciso me afastar desse turbilhão o quanto antes! – pensamento de Ryu.
Então, Ryu salta para o lado esquerdo e começa a correr velozmente em direção a Heiko.
_ O quê? – Heiko surpreso. Já entendi...
Em seguida, Heiko, à distância, manipula o turbilhão de vento, fazendo com que ele atinja o solo com mais violência, à medida que avança em direção a Ryu. Como consequência, fortes explosões de vento ocorrem no local, dificultando os movimentos do garoto, que tenta se aproximar de Heiko.
*Explosões de vento ocorrendo bem perto de Ryu*
_ Ah! Iah! Argh! – Ryu tentando escapar das explosões.
Apesar do feroz ataque do vento, Ryu prossegue em direção a Heiko, aproximando-se cada vez mais dele.
_ Ele está resistindo aos ataques – pensamento de Cindy.
Ryu fica cerca de cinco metros distante de Heiko, prestes a atacá-lo:
_ É agora! – pensamento de Ryu.
Porém o turbilhão de vento atinge o solo verticalmente, bem na frente de Ryu, causando uma grande explosão no local. Como conseqüência, surge uma cortina de fumaça no local, que oculta o garoto.
*Cindy e Heiko observando atentamente*
A fumaça começa a baixar e Ryu finalmente aparece:
_ Cof! Cof! Cof! Arghh!! – Ryu levantando-se no meio da fumaça.
_ Ainda não está bom – diz Heiko.
_ Droga! – Ryu irritado.
_ Vamos tentar mais uma vez – diz Heiko.
_ Certo! – responde Ryu.
Nesse momento, várias nuvens se formam na região e os relâmpagos ficam mais intensos, indicando que uma tempestade estava prestes a acontecer.
_ Parece que teremos uma forte tempestade. Ryu não poderá treinar nessas condições – Cindy olhando para o céu. Heiko, é melhor parar o treinamento! Vem vindo uma forte tempestade!
_ As condições neste vale são imprevisíveis mesmo, Cindy! Foi por isso que trouxemos Ryu para cá!
_ Mas os raios estão cada vez mais fortes! Não dá para treinar nessas condições!
_ Está bem! Ryu, vamos parar agora! Não podemos treinar com o tempo assim!
_ De jeito nenhum! Eu preciso ficar forte o quanto antes!
*Os raios cada vez mais intensos e o vento soprando bem forte*
_ Esqueça, Ryu! É melhor pararmos! A tempestade que se aproxima parece ser bastante forte! – Heiko novamente.
_ Droga! – Ryu cerrando os dois punhos, numa expressão de raiva.
O vento fica ainda mais forte, e os relâmpagos, mais intensos, indicando que a tempestade estava bem perto.
_ Tudo bem! – diz Ryu.
_ Vamos voltar para a caverna! – diz Heiko.
Ryu estava prestes a seguir de volta à caverna, junto com Cindy e Heiko, quando um fortíssimo vento o atinge, jogando-o para longe:
_ Aahh!!
_ Ryu!! – Gritam Cindy e Heiko.
_ Aaah!! – o garoto sendo levado pelo vento.
Ryu, arrastado pelo vento, aproxima-se de um precipício:
_ Essa não!! – desespera-se o garoto.
_ Ryu!! – grita Cindy.
Cindy, usando seus poderes telecinéticos, consegue parar Ryu, impedindo que o garoto caia no precipício.
_ Cindy!! – grita Ryu.
Contudo, o vento estava cada vez mais forte, dificultando a ação de Cindy:
_ Heiko, eu não vou aguentar por muito tempo! Depressa!
_ Eu já vou!
Em seguida, Heiko, envolvido por sua energia de vento, segue voando em direção a Ryu. Contudo, um fortíssimo vento atinge o local, derrubando Cindy e Heiko.
_ Aahh!! - grita Cindy.
_ Cindy!! – grita Heiko.
Como consequência, Ryu cai no precipício:
_ Nãão!!
Heiko recupera-se rapidamente e voa em direção ao precipício:
_ Ryu!!
Infelizmente, ele não consegue mais avistar Ryu.
_ Droga! – Heiko socando o chão.
*Cindy se levantando e indo até Heiko*
_ Espere, Heiko... – diz a garota.
Enquanto isso, na encosta que formava o precipício...
_ Aiii... É cada uma que me acontece neste mundo...
Por sorte, a camisa de Ryu havia ficado presa num galho da encosta, salvando o garoto. (Até que às vezes ele tem sorte.)
_ Eu tenho que sair daqui. Mas como?
Foi só ele dizer aquilo para o galho começar a se partir, deixando-o desesperado:
_ Ah, não! E agora?!
O galho se quebra e Ryu cai:
_ Aahh!!
Entretanto, ele consegue se agarrar a uma pedra:
_ Ah! Ufa! Essa foi por pouco! – respira aliviado.
Em seguida, apoiado na pedra, Ryu consegue subir e acha uma pequena trilha localizada na encosta:
_ Bom, pelo menos aqui estou a salvo. Agora preciso voltar para junto de Cindy e Heiko. Talvez esta trilha me leve até o local onde estávamos.
O garoto, então, começa a caminhar pela trilha.

Enquanto isso, na planície:

_ Temos que procurá-lo! Não sabemos o quão forte essa tempestade pode ficar. Rápido, Cindy! Segure-se em mim – diz Heiko.
Cindy segura-se às costas de Heiko e este começa a manifestar sua energia de vento ao redor do corpo. Em seguida, os dois descem em direção ao precipício.

Enquanto isso, na trilha seguida por Ryu:

_ Essa trilha não acaba nunca. Hum? – Ryu olhando para o lado esquerdo, com ar de desconfiança. Parece que estou sendo observado de longe. Quem está aí?! – Ryu olhando para o alto e para os lados. Não tem ninguém. Bom, o jeito é continuar.
Ryu continua seguindo pela trilha. Instantes depois, a mesma fica bastante estreita e não acompanha mais a planície; ela torna-se uma espécie de elo estreito entre duas encostas, e é possível ver inúmeras ossadas humanas atravessadas por rochas pontiagudas, ao olhar para baixo.
_ Provavelmente essas ossadas pertenciam às pessoas que tentaram atravessar este lugar e não conseguiram. Parece que estou sobre um imenso cemitério – pensamento de Ryu, ao olhar para baixo. Devo atravessar isto aqui com cuidado, se não quiser me juntar a eles.
Então, Ryu, com extremo cuidado, atravessa a trilha que servia de elo entre as duas encostas. Contudo, o vento volta a soprar forte no local, dificultando a sua travessia:
_ Droga! – Ryu deitando no chão e agarrando-se à trilha.
O vento torna-se mais forte, mas Ryu consegue se manter na trilha. Por fim, o vento cessa e Ryu volta a caminhar em direção à outra encosta.
_ Eu tenho que sair logo daqui! Heiko disse que os fenômenos aqui são muito imprevisíveis.
Agora são os raios que ficam mais intensos, e também mais próximos do local onde Ryu estava.
_ E essa agora! Mas que saco!
De repente, um raio atinge a trilha onde Ryu estava, assustando-o:
_ AAAHH!!
Como conseqyência, o local da trilha atingido pelo raio é destruído, fazendo com que o restante dela comece a desmoronar.
_ Essa não!
Sem pensar duas vezes, Ryu corre feito um louco para o outro lado da encosta, ao mesmo tempo em que o caminho até lá desmoronava, para seu desespero:
_ Droga! Eu tenho que conseguir!
Contudo, o caminho desmorona por completo. Numa fração de segundos, Ryu salta e consegue agarrar-se a uma rocha da encosta que pretendia alcançar, escapando por pouco do fatal destino:
_ Aff... Aff... Essa foi por pouco, mas muito pouco...
Apesar de se salvar, Ryu ainda estava a cinco metros da parte plana da encosta a qual pretendia alcançar. Sem outra opção, resta-lhe escalar a encosta, até chegar ao tal lugar.
_ Eu não vou desistir. Eu vim de muito longe, sem saber ao certo o porquê. Tudo o que sei é que preciso me fortalecer para enfrentar um cara muito poderoso e poder voltar para casa. O meu verdadeiro obstáculo ainda está por vir! Eu não posso me deixar vencer por uma coisa tão simples! – Ryu escalando a encosta.
Então, com muita bravura e determinação, Ryu escala a encosta e consegue chegar à sua parte plana:
_ Aii... Finalmente... – Ryu deitando no chão.
De repente, Ryu escuta um estranho barulho, como o de um forte rugido:
_ Mas que som é esse? Parece que vem de trás da encosta.
O som fica ainda mais forte, e Ryu decide investigar:
_ Parece que vem dali – Ryu caminhando em direção à origem do som.
O som estava cada vez mais forte, quando...
_ Uaah!! – Ryu levando um susto.
Uma criatura semelhante a um urso, com três olhos e um longo focinho, surge diante de Ryu, deixando-o apavorado:
_ E agora?! O que vou fazer?!
Enquanto isso, não muito longe dali, Cindy e Heiko ainda procuravam por Ryu:
_ Ryu!! Responda!! – grita Cindy.
_ Onde você está, Ryu?!! – grita Heiko.
_ Nem sinal dele – desanima-se Cindy.
_ Se ao menos sua energia tivesse se desenvolvido por completo, poderíamos encontrá-lo mais facilmente.
De repente, os dois escutam o mesmo rugido que fora ouvido por Ryu, antes:
_ Você ouviu, Heiko?
_ Sim, e não vem de muito longe!
_ Será que...?
_ Vamos, Cindy!
Os dois correm em direção à origem do som. Ao chegarem no local...
_ Aquilo é... – Cindy surpresa com o que via.
A mesma criatura que aparecera para Ryu estava diante deles.
_ Não temos tempo pra essa criatura! – Heiko com um olhar sério.
No entanto, ao olhar para o lado esquerdo do monstro, Heiko vê um dos tênis que Ryu usava:
_ Hã? Cindy, veja aquilo! É uma das peças da vestimenta de Ryu!
_ O quê? Não pode ser! – Cindy surpresa ao olhar para o tênis de Ryu.
_ Droga! Não me diga que esse monstro... Que esse monstro devorou o Ryu?! – Heiko cerrando fortemente o punho direito.
_ Não, não pode ser... – Cindy perplexa.
Tomado pela raiva, Heiko parte para cima do monstro:
_ Seu maldito! Eu vou vingar a morte de Ryu! Toma!!
Com sua energia de vento envolvendo seu punho direito, Heiko desfere um fortíssimo golpe contra o monstro, jogando-o para bem longe da montanha.
_ Miserável... – Heiko cerrando os dois punhos, enquanto olha para baixo.
Arrasada, Cindy cai de joelhos no chão e põe-se a chorar:
_ Fui tudo culpa minha! – seus olhos enchendo-se de lágrimas. Se eu tivesse segurado-o com meus poderes... Ele ainda estaria conosco – lágrimas caindo de seus olhos.
_ Você fez o que pôde, Cindy – Heiko aproximando-se da garota. Além disso, a culpa foi minha. Se eu tivesse parado o treinamento antes... Droga! – Heiko cerrando com mais força o punho direito.
_ Ryu... – Cindy com a cabeça bem baixa.
De repente...
_ Nossa, eu não sabia que vocês se importavam tanto comigo!
Ao ouvir aquela frase, Heiko, surpreso, olha para trás:
_ Ryu?! Então você está vivo?!
_ Mas é claro, oras! Pensaram que eu tinha morrido, foi?
_ Achamos que você tinha sido devorado por uma criatura, pois encontramos aquela peça de sua vestimenta – Heiko olhando para o tênis de Ryu.
_ Ah, o meu tênis! Mas que sorte! – Ryu indo em direção ao tênis.
_ Espere, e quanto ao monstro? – pergunta Heiko.
_ Ah, é mesmo! Bom, quando eu vi aquela criatura...

*Cenas do encontro de Ryu com o monstro – suas lembranças, narradas por ele mesmo*

_ Ahh!! Eu preciso fazer alguma coisa! – Ryu assustado com o monstro. Mas o quê?!
*O monstro vindo em sua direção*
"Então eu olhei para o alto e resolvi escalar a encosta."
_ Eu tenho que subir! – Ryu correndo do monstro e começando a escalar a encosta.
"Até aí, tudo bem, só que... O monstro resolveu atacar a encosta, fazendo-a estremecer."
_ Pare! Desse jeito eu vou cair!!
"No meio desses ataques meu tênis acabou saindo do meu pé. Quando olhei pra baixo, vi o tênis atingindo o focinho do monstro, que era bem grande."
*O monstro sendo atingido pelo tênis de Ryu*
"O estranho é que, instantes depois, o monstro caiu no chão, e eu não entendi o porquê."

*Fim da narração de Ryu*

_ Mas que coisa – Heiko surpreso com a história de Ryu.
_ Pelo menos você está bem – Cindy virando-se para Ryu, com um leve sorriso.
_ É. Mas você estava chorando? - pergunta Ryu.
_ Esqueça isso, Ryu – Cindy virando o rosto para o lado.
_ Há! Eu sabia! Você estava preocupada comigo!
_ Eu já disse pra você esquecer isso! – Cindy nervosa. (É melhor não provocar, Ryu...)
_ Tá bom! Tá bom! Não está mais aqui quem falou. Bom, deixe-me pegar meu tênis.
Ryu segura o tênis e resolve examiná-lo mais de perto:
_ Mas não tem nada de errado com ele. Por que será que aquele monstro caiu?
Segundos depois, ao aproximar o nariz da parte interna do tênis...
_ Ahh... Agora eu entendo... – Ryu com uma cara de lesado (no sentido pejorativo da palavra mesmo).
Em seguida, Ryu cai desacordado no chão, com a mesma cara de lesado. (O chulé devia ser tremendo, pelo visto.)
_ É, mesmo sem poderes espirituais, ele consegue se defender – Heiko olhando para Ryu.
_ Mas que técnica estranha a dele – Cindy com uma discreta cara de nojo.
_ Bom, vamos voltar – Heiko carregando Ryu.
_ Certo.

Após esse "treinamento" que Ryu teve, nossos heróis decidem voltar para o Vale da Garganta de Fogo, sem saber que estavam sendo observados de longe.

Continua...

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