Capítulo 5: No maior porre!
Depois de escaparem de um grupo de bandidos, Ryu e Cindy finalmente conseguem chegar à Vila Kanami, lugar onde estaria o mestre Nikuri, de acordo com Nooshi. Só que a missão deles não seria nada fácil, já que o povoado estava em festa. Encontrá-lo nestas circunstâncias seria uma tarefa árdua.
_ Bom, aqui é a Vila Kanami! Você tem certeza de que é neste lugar que está o mestre Nikuri? – pergunta Cindy.
_ Bem, o senhor Nooshi apenas disse para vir para cá e procurá-lo. O problema é que este parece ser um povoado muito grande! Vai ser difícil encontrá-lo! Você sabe como ele é? – pergunta Ryu.
_ Não, apenas ouvi falar nele. Quase ninguém no Juízo Final o conhece.
_ Então como sabe que ele é um ótimo mestre?
_ Isso é o que mais falam sobre ele. Além disso, como foi o Grande Sacerdote Nooshi que o mandou procurá-lo, não resta dúvida de que ele é realmente bom.
_ Tem razão. Aii... Eu tô com fome...
_ Eu também. Vamos parar e comer alguma coisa.
_ Bem que eu queria, mas acho que não tenho dinheiro suficiente para comer neste mundo.
_ "Dinheiro"? O que é isso?
_ Como assim? Não me diga que não existe dinheiro neste mundo? Bom, dinheiro é uma coisa que nos permite obter qualquer tipo de mercadoria lá na Terra. Quando queremos algum tipo de mercadoria, damos uma certa quantidade de dinheiro em troca.
_ Então é assim que vocês fazem na Terra? Aqui é diferente: quando queremos alguma coisa, simplesmente pedimos; às vezes oferecemos algum tipo de mercadoria ou um favor, em troca.
_ Puxa! Bem que na Terra poderia ser assim...
_ Bem, vamos comer alguma coisa.
_ Sim, vamos!
Os dois, então, caminham em direção a uma espécie de barraca de lanches (iguais às que existem na Terra). Ao olharem para o lado, para uma outra barraca, observam um velho bebendo sem parar, com cinco garrafas vazias sobre o balcão, pedindo mais bebida:
_ Mais uma garrafa, por favor...
_ O senhor já bebeu o bastante por hoje. Desse jeito vai cair antes mesmo de chegar em casa – diz o dono da barraca onde estava o tal velho.
_ Não se preocupe comigo. A bebida é minha amiga, heheh.
_ Nossa, aquele velho é mesmo duro na queda! Vejam o quanto ele já bebeu, e ainda quer mais! – diz Ryu.
_ Hunf! Quase todos os velhos deste mundo são assim. Que desperdício! – Cindy olhando de lado.
De repente, dez homens aproximam-se da barraca onde estava o velho. Um deles cutuca suas costas e diz:
_ Ei, velhote! Meus amigos e eu vamos beber neste lugar e não queremos a sua companhia! É melhor dar o fora!
Fazendo pouco caso do que o homem disse, o velho ironiza:
_ Se deseja beber sem a minha companhia, não faz mal; afinal, você não faz o meu tipo.
_ Com que pensa que está falando?!! – grita o homem, enquanto segura o velho pela roupa.
O homem, no entanto, logo o solta, por causa de seu horrível bafo de bebida:
_ Mas que cheiro forte de bebida!
_ Solta ele chefe, é só um velho bêbado! – diz um dos homens do bando.
_ Nada disso! Esse velho zombou de mim! Vou ensiná-lo a não mexer mais comigo!
Cindy e Ryu, percebendo o que iria acontecer, decidem ajudar o velho, mas logo são impedidos pelo dono da barraca em que estavam:
_ Ei, vocês, o que pensam que vão fazer?
_ Ora essa, vamos ajudar aquele velho! Não vê que vão matá-lo? – Ryu para o dono da barraca.
O dono da barraca insiste:
_ Isso é o que vocês pensam. Aquele velho sabe se cuidar muito bem, observem.
Os dois, então, decidem acompanhar tudo de longe. Enquanto isso, o sujeito brigão se prepara para surrar o velho:
_ Vai aprender a me respeitar, velhote!
Contudo, ele é detido por uma forte cotovelada do velho, que lhe diz:
_ Eu creio que não, meu jovem. Nunca fui bom aluno, hehehe.
O sujeito desmaia e seus companheiros ficam surpresos:
_ Mas como?! O que esse velho fez?! Vamos pegá-lo!! – grita um dos homens do bando.
O bando avança em direção ao velho, na tentativa de espancá-lo, mas este, cambaleando, consegue evitá-los.
_ Não é possível! Como um bêbado pode evitar meus golpes?! Iaah!! – grita um dos homens, enquanto tenta atingir o velho com um soco.
Entretanto, o homem é nocauteado por um chute no abdome desferido pelo velho.
_ É incrível! Aquele velho conseguiu escapar de todos os golpes, mesmo caindo de bêbado! – impressiona-se Ryu, ao ver a "performance" do velho.
Ao mesmo tempo, três caras do bando partem para cima do velho. Este, ainda cambaleando, consegue se livrar dos três e acerta um chute em cada um, colocando-os para dormir.
*Os homens caindo no chão*
Os cinco homens que ainda restavam decidem atacá-lo de uma só vez. O velho, então, estufa o peito e emite um grito muito forte:
_ AAAHH!!
Os cinco sujeitos são jogados para longe, atingem uma parede e, em seguida, acabam desmaiando.
_ Você viu aquilo, Cindy? Ele apenas gritou e aqueles caras foram arremessados. Ele também possui poderes psíquicos! – Ryu espantado.
_ Não. Aquilo não foi poder psíquico.
_ Como sabe?
_ Não senti nenhuma manifestação desse tipo de poder nele.
_ Então, como ele fez aquilo?
_ Eu não sei.
_ Eu não disse? O velho Nikuri sabe se cuidar muito bem! – vibra o dono da barraca onde estavam Cindy e Ryu.
_ Você disse "Nikuri"?! – espanta-se Cindy.
_ Sim! Ele é o homem mais forte desta região!
Cindy e Ryu, ao ouvirem aquilo, correm em direção ao velho:
_ Por favor, o senhor é o Mestre Nikuri? – Ryu desesperado.
_ Como disse, filho...? – pergunta o velho, ainda de porre.
_ Um senhor chamado Nooshi disse para eu procurá-lo e pedir que me treinasse.
Ao ouvir aquilo, o velho recupera-se de seu porre, fica em silêncio durante alguns instantes e volta-se para Ryu:
_ Sim. Eu sou o Mestre Nikuri.
_ Yeeh! – vibra Ryu.
_ Que sorte! – Cindy com um sorriso no rosto.
_ Então o senhor vai me treinar?! – pergunta Ryu.
_ Sim, filho. Mas somente a partir de amanhã. Hoje eu quero beber! Vocês serão meus convidados! – responde Nikuri.
_ Ele ainda quer beber?! – espanta-se Cindy.
_ Eu nunca tinha visto alguém assim! – diz Ryu.
E, assim, Ryu e Cindy finalmente encontram o Mestre Nikuri. Que tipo de treinamento Ryu terá com esse mestre tão... Er... Excêntrico?
Continua...
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