Capítulo 7: O Espírito é a base de tudo!
Ryu parte para cima de Nikuri, tentando atingi-lo com um soco. No entanto, o velho consegue se esquivar com a maior facilidade e atinge Ryu com um leve soco no abdome.
_ AAHH! – Ryu sentindo o golpe e caindo ajoelhado.
*Cindy observando a cena*
_ Hum... Seu ataque não é tão ruim, mas seus movimentos são lentos e previsíveis, o que o torna um alvo muito fácil para os seus oponentes. Além disso, esse golpe não continha energia e, deste modo, nunca poderia me machucar.
_ Mas eu sempre me destaquei nas artes marciais, lá na Terra! Eu não entendo...
_ Aqui no Juízo Final é diferente: as lutas exigem muito mais do que força física, todas elas têm como base o espírito. Sem a força do espírito, a força física não é nada. O espírito é a base de tudo! – explica Nikuri.
_ O espírito? – Ryu se levantando.
_ Sim. Se você não souber usar a força proveniente de seu espírito, não conseguirá sobreviver no Juízo Final – Nikuri novamente.
_ O quê?! Como eu faço para usar essa força?! Por favor, me diga!
_ Não se preocupe, meu jovem. Eu vou treiná-lo para que desenvolva essa força. Mas antes, quero avisá-lo de que será um treinamento muito rigoroso! Está disposto a continuar?
_ Sim! Se essa for a única maneira de sobreviver neste mundo, eu aceito!
_ Ótimo! Então, vamos começar! Acompanhem-me!
Ryu e Cindy acompanham o mestre e, para variar, começam a discutir:
_ Não pense que será fácil suportar o treinamento e, muito menos, sobreviver no Juízo Final! – diz Cindy.
_ Para o seu governo, eu posso sair de qualquer situação numa boa!
_ Ah tá! Vai sonhando...
_ O que você está querendo dizer?! – Ryu se irritando.
_ Relaxa, seu estressado!
_ Quem é estressado?! – grita Ryu.
_ Bom, aqui estamos – interrompe Nikuri.
Os três chegam a uma região bastante deserta e repleta de rochas.
_ Este será o local onde começaremos o treinamento – diz Nikuri.
_ Aqui? Mas é um local impróprio para uma luta – diz Ryu.
_ E quem disse que começaremos o treinamento com uma luta? Você terá que passar por uma prova de resistência, com o objetivo de despertar a sua força espiritual.
_ E como eu farei isso, mestre?
_ Suba até o topo daquela rocha e traga a água sagrada que existe lá – Nikuri apontando para uma rocha de aproximadamente cinqüenta metros de altura.
_ O quê?! É muito difícil! É muito alta! – desespera-se Ryu.
_ Se acha tão difícil uma tarefa simples como esta, então pode desistir do treinamento – Nikuri para o garoto.
_ Espere... Eu vou! Eu irei até o topo e trarei a água sagrada! – Ryu batendo no peito com pinta de machão.
_ Assim é que se fala! Aqui está o cantil. Ficaremos aqui esperando – diz Nikuri.
_ Sim. Eu já vou! Até mais!
*Ryu correndo em direção à rocha*
_ Vê se não vai morrer! – ironiza Cindy.
_ Vê se não me enche! – responde Ryu, já próximo à rocha.
_ Ele conseguirá, mestre? – pergunta Cindy.
_ Se ele se esforçar e se concentrar, talvez. Contudo, ele desconhece os obstáculos que enfrentará neste teste.
_ Mas eu nunca ouvi falar de nenhuma água sagrada nesta região, mestre.
_ Eu explicarei mais tarde...
Enquanto isso, Ryu começa a escalar a rocha. A princípio, ele vai bem, sem tropeçar em nada. Contudo, após algum tempo, o garoto começa a reclamar (tava demorando...):
_ Aaii! Maldita rocha! Mas que raio de treino é esse? Como isso vai despertar minha força espiritual ou seja lá o que for?
Nesse momento, surge uma estranha ave, semelhante a uma águia, porém com duas caudas, que começa a atacar Ryu.
_ Sai pra lá! Fora! Deixe-me em paz! – Ryu tentando se livrar da ave.
Depois de algum tempo, a ave vai embora e Ryu, por fim, chega ao topo da rocha.
_ Yeh!! Finalmente eu cheguei!!
Ryu comemora, mas pisa em falso em uma rocha e por pouco não cai:
_ Iau! Essa foi por pouco!
Enquanto isso, Cindy e Nikuri observam de longe o que acontece:
_ Ele conseguiu, mestre. Finalmente ele chegou ao topo.
_ Não, ainda não. Agora é que virá o principal obstáculo.
_ O quê?
_ Ele terá que enfrentar o guardião da água sagrada.
_ Que guardião?
_ Observe atentamente.
Enquanto isso, no topo da rocha, Ryu está prestes a pegar um pouco da água sagrada. Contudo, uma enorme sombra surge diante dele. Ao olhar para cima, vê uma gigantesca ave, semelhante à anterior, porém maior, com cerca de cinco metros de altura.
_ Aah! De onde saiu isso?!
Em um vôo rasante, a ave desce em direção a Ryu, que se abaixa e escapa de ser atingido. O garoto corre, mas não tem para onde fugir, entrando em desespero:
_ Socorro!! Ajudem-me!!
De repente, ele houve a voz de Nikuri, que o chama através do pensamento:
_ Não se desespere, meu jovem. Concentre-se!
_ Não dá, mestre! Eu não tenho como escapar!
_ Então enfrente-a!
_ Como?! Esse monstro é enorme e eu não tenho nenhuma arma para enfrentá-lo!
_ Use o que tem. Use a força do oponente contra ele próprio!
_ O quê?!
Ryu tenta correr, mas acaba tropeçando (tava demorando...) e fica diante de um rochedo, não tendo mais para onde correr.
_ Ai! E agora?!
A ave se aproxima e Ryu fica ainda mais desesperado:
_ Ahh! Não! Vai ser o meu fim!
De repente, Ryu olha para o tal rochedo e, em seguida, para a ave e se lembra das palavras de Nikuri. Então, numa fração de segundos, ele se joga no chão e sai rolando, enquanto a ave atinge violentamente o rochedo, e desmaia, em seguida. Ryu respira aliviado:
_ Ufa! Essa foi por pouco! O mestre tinha razão!
Por fim, Ryu pega um pouco da água sagrada e decide voltar para o local onde estão Cindy e Nikuri. Minutos depois...
_ Aqui está, mestre! – Ryu entregando a Nikuri o cantil contendo a água sagrada.
_ Bom trabalho, meu jovem! Você se saiu muito bem – Nikuri pegando o cantil.
_ Foi graças ao senhor – Ryu sorrindo.
_ Até que você leva um pouco de jeito – Cindy com um leve sorriso.
_ Hehe! Bem, mas qual é a finalidade dessa água? Por que ela é sagrada? – pergunta Ryu.
_ É para matar minha sede – Nikuri bebendo a água.
_ O quê?!! Eu arrisco minha vida naquela rocha só para matar sua sede! Eu pensei que fosse algo de importante! Pensei que fosse uma água sagrada! – Ryu com cara de espanto.
_ Matar minha sede é algo importante. E a água é sagrada porque consegue curar minha ressaca – "explica" Nikuri.
_ PAF! – Ryu caindo no chão com cara de idiota.
_ Vamos andando, crianças. Amanhã continuaremos com o treinamento – Nikuri indo embora.
Ryu conseguiu passar por sua primeira prova, mas o treinamento está apenas começando.
Continua...
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